A inflação do Brasil subiu em dezembro, mas a taxa anual está dentro da meta

A inflação mensal do Brasil provavelmente acelerou em dezembro devido ao aumento dos custos dos produtos agrícolas e das passagens aéreas, mas a taxa anual deveria ter permanecido próxima da meta superior do banco central, mostrou uma pesquisa da Reuters.

No geral, os preços ao consumidor na economia número 1 da América Latina comportaram-se melhor em 2023 do que se pensava anteriormente, graças às excelentes condições agrícolas, à política monetária rigorosa e a alguns esforços de contenção fiscal por parte do governo.

Prevê-se que o índice de inflação IPCA do Brasil tenha aumentado 0,48% em dezembro, em comparação com um aumento de 0,28% em novembro, de acordo com a estimativa mediana de 23 economistas entrevistados de 3 a 9 de janeiro. Os números dos preços ao consumidor estão programados para publicação na quinta-feira.

No entanto, a taxa homóloga é estimada em 4,54%, abaixo dos 4,68% de novembro e do limite superior da meta oficial do banco central de 1,75% a 4,75%, pela primeira vez desde 2020. As estimativas situaram-se entre 4,40% e 4,80%.

Ainda assim, os custos dos produtos básicos, como a carne bovina ou o arroz, começaram recentemente a crescer mais rapidamente devido a uma queda na produção agrícola causada pelos efeitos do padrão climático El Niño este ano, após uma colheita abundante no ciclo anterior.

“A contribuição positiva mais significativa deve vir de alimentos e bebidas, refletindo preços agrícolas mais fortes”, disse Laiz Carvalho, economista brasileiro do BNP Paribas (OTC:BNPQY), sobre os impulsionadores da inflação mensal de dezembro.

“Os feriados de fim de ano também deverão impactar o transporte devido ao aumento das tarifas aéreas, parcialmente compensado pela redução dos preços dos combustíveis”, já que milhões de brasileiros saem de férias durante o verão do hemisfério sul.

As tarifas aéreas dispararam 65% nos últimos quatro meses, uma tendência “preocupante” que o governo está tentando reverter, disse o ministro das Finanças, Fernando Haddad, em dezembro, após a divulgação de dados quinzenais de inflação acima do esperado.

No geral, porém, os preços no consumidor deverão continuar relativamente moderados em 2024, subindo 3,90% e permanecendo abaixo da meta oficial deste ano de 3% mais/menos 1,5 pontos percentuais, de acordo com a última previsão de consenso num inquérito do banco central.

“A dinâmica geral da inflação permanece benigna”, disse Felipe Sichel, economista-chefe da Porto Asset. “O banco central continuará a cortar as taxas a um ritmo de 50 pontos base em direção a uma taxa terminal de 9,25%, que deverá ser alcançada até julho.”

O governador do banco central do Brasil disse no mês passado que considerava o ritmo de cortes de 50 pontos base nas taxas de juros por reunião como apropriado para as condições atuais e com o objetivo de levar os custos dos empréstimos ao “nível mais baixo possível” este ano.