A revolução da IA está sendo alimentada por usinas elétricas dos anos 60. O futuro é movido a petróleo sujo?

Postando um choque de realidade que eu li hoje. Enquanto a gente fala de GPT-5 e Dall-E, nos bastidores a rede elétrica dos EUA está em crise por causa da sede de energia dos data centers de IA.

O exemplo mais absurdo: no bairro de Pilsen, em Chicago, tem uma usina termelétrica movida a óleo da década de 60, a Fisk. Ela é tão velha que fica do lado de um parque cheio de crianças brincando.

Ela raramente era usada e ia ser APOSENTADA EM 2024. Só que aí veio o boom da IA.

A demanda por eletricidade explodiu no mercado atacadista (PJM), os preços subiram e, do nada, ligar essa usina poluente voltou a ser lucrativo. A dona da usina, a NRG Energy, simplesmente cancelou a aposentadoria.

E ela não está sozinha. Dezenas de usinas “peaker” (pico) antigas, que só deveriam funcionar por poucas horas em emergências, estão sendo pressionadas a voltar ao serviço em todo o país.

O problema é o custo (duplo):

Ambiental: Essas usinas antigas queimam combustíveis fósseis e são MUITO mais poluentes quando ligadas.

Econômico: A energia delas é mais cara para produzir do que a de usinas modernas ou renováveis.

Ou seja: para alimentar o futuro da inteligência artificial, estamos ressuscitando o passado poluente da geração de energia. Que ironia, né?

Pergunta: Isso é só um remendo temporário ou prova que a transição energética não está nem perto de acompanhar o ritmo do crescimento da tecnologia?

Isso é de uma tristeza sem fim. A gente fica otimista com carro elétrico e painel solar, e aí descobre que o machine learning que gera seu meme e seu resumo de texto é sustentado por uma usina que solta fuligem no parquinho das crianças. O greenwashing do “futuro da IA” nunca esteve tão claro.

Cara, do ponto de vista da rede elétrica, é um pesadelo logístico. Essas “peakers” são um mal necessário em picos de demanda, mas usá-las como base para data center é insustentável. Sinal de que a expansão da transmissão e das renováveis (que são intermitentes) está muito, muito atrás. O mercado de energia virou uma bomba-relógio.

Vocês estão vendo problema onde tem oportunidade. Se a demanda é real e paga o preço, o mercado fornece. Simples. Se não querem usinas a óleo, que construam mais nucleares ou acelerem as licenças para renováveis. Enquanto a burocracia e o NIMBY (“não no meu quintelo”) atrapalham, o negócio é ligar o que tem. A IA não pode esperar.