Banco Central do Brasil eleva crescimento do PIB em 2022 e mantém desaceleração para 2023

O Banco Central do Brasil melhorou na quinta-feira sua projeção para o PIB de 2022 devido a uma revisão metodológica que implicou em um resultado melhor no primeiro semestre, mas manteve a perspectiva de desaceleração para 2023 devido ao aperto monetário agressivo.

Em seu relatório trimestral de inflação, o banco central agora vê o produto interno bruto (PIB) crescendo 2,9% neste ano, ante 2,7% em setembro, enquanto sua estimativa de crescimento para o próximo ano foi mantida em 1,0%.

“As projeções atuais refletem a perspectiva de que a desaceleração da atividade econômica se consolidará no quarto trimestre deste ano e ao longo de 2023, influenciada pela esperada desaceleração global e pelos impactos cumulativos da política monetária doméstica”, diz o relatório.

Economistas privados consultados pelo banco central em pesquisa semanal projetam alta de 3,05% do PIB neste ano e de 0,75% em 2023.

Em relação à política monetária, os formuladores de políticas voltaram a enfatizar que permanecerão vigilantes para ver se manter a taxa básica de juros do país em 13,75% por “um período suficientemente longo” seria suficiente para garantir a convergência da inflação.

Caso contrário, os formuladores de políticas dizem que os aumentos podem ser retomados. O banco central interrompeu seu aperto agressivo em setembro, após 12 aumentos consecutivos que elevaram as taxas de uma baixa recorde de 2% em março de 2021 para combater a inflação.

Em suas últimas comunicações, o banco central destacou os riscos inflacionários decorrentes do pacote multibilionário de gastos do presidente eleito de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva para cumprir promessas de campanha, que já foi aprovado no Senado, mas ainda não foi votado na câmara baixa.

Os formuladores de políticas disseram no relatório que “dariam atenção especial aos desenvolvimentos futuros da política fiscal e, em particular, seus efeitos sobre os preços dos ativos e as expectativas de inflação, com impactos potenciais na dinâmica da inflação prospectiva”.