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Banco Central do Brasil monitora "de perto" o vazamento de câmbio

O banco central do Brasil está observando atentamente a taxa de câmbio do real em busca de sinais de que sua fraqueza recente está elevando os prêmios de risco nos mercados financeiros ou alimentando as expectativas de inflação, disse o presidente do banco central, Roberto Campos Neto, na quinta-feira.

Até o momento, nenhum dos dois parece ter acontecido, mas o banco está pronto para tomar as medidas apropriadas caso veja distorções no mercado, disse ele a repórteres em Brasília após o lançamento do Relatório Trimestral de Inflação do banco.

“O aumento do dólar não foi acompanhado por prêmios de risco mais altos”, disse Campos Neto, observando que o aumento do dólar para 4,20 reais foi em parte um movimento global e em parte resultado de empresas brasileiras pagando dívidas externas.

“Estamos assistindo isso de perto”, disse ele.

Apesar da recente fraqueza do real - desvalorizou 8% em relação ao dólar em agosto, sua maior queda mensal em quatro anos - a inflação e as expectativas de inflação permanecem bem ancoradas.

Usando projeções de mercado para taxas de câmbio e juros, o banco central espera que a inflação fique em torno de 3,3% este ano e 3,6% no próximo ano, ambos significativamente abaixo de suas metas oficiais de 4,25% e 4,00%, respectivamente.

Mesmo modelando para a extremidade inferior das previsões de moeda e taxa de juros, a inflação no próximo ano provavelmente será de cerca de 3,8%, disse o banco central.

Enquanto o Brasil opera uma taxa de câmbio flutuante, Campos Neto disse que não existe um “dogma” no banco central em relação à intervenção cambial, e ele abordará distorções onde quer que elas ocorram, seja no mercado à vista ou de derivativos.

Campos Neto disse que a venda histórica de dólares no mercado à vista, a primeira em mais de uma década, fazia sentido, porque era ali que estava a demanda por dólares. Nos últimos anos, o banco central interveio através do mercado de swaps cambiais.

“Nosso objetivo é intervir da maneira mais limpa possível, atendendo à demanda o mais diretamente possível, ao menor custo para o governo”, disse Campos Neto.

Na economia, Campos Neto reiterou o impulso do Relatório de Inflação de que o crescimento acelere no próximo ano para 1,8%, de 0,9% este ano, embora os riscos de cauda estejam aumentando, principalmente na arena global.

O banco central cortou as taxas de juros na semana passada em meio ponto percentual, para uma nova baixa de 5,50%. Em seu Relatório de Inflação, na quinta-feira, afirmou novamente que uma perspectiva benigna da inflação deve abrir caminho para novos estímulos monetários.