Brasil não está fora de perigo com a inflação em meio a preocupações fiscais, diz chefe do banco central

O Brasil não está fora de perigo com a inflação e os formuladores de políticas ainda veem trabalho a ser feito, disse o presidente do banco central, Roberto Campos Neto, na sexta-feira, sinalizando que a deterioração fiscal pode forçar uma mudança na política monetária.

Suas declarações, feitas em evento promovido pela Bloomberg, buscaram novamente refletir as preocupações com o aumento significativo de gastos planejado pelo governo do presidente eleito de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva, que toma posse em 1º de janeiro.

Apesar de reconhecer que é preciso aguardar qual pacote de gastos será efetivamente aprovado pelo Congresso, ele destacou que, dependendo do cenário, a postura do banco central pode mudar.

“É muito importante haver coordenação entre as políticas fiscal e monetária nesta fase do ciclo”, disse ele, destacando que as preocupações fiscais já afetaram as expectativas do mercado para afrouxamento monetário.

“A política fiscal é um insumo para nós, e se por meio desse insumo acreditarmos que a convergência (inflacionária) que havíamos planejado não será alcançada, então vamos reagir.”

O banco central interrompeu seu aperto monetário agressivo em setembro, após 12 aumentos consecutivos que elevaram as taxas de juros para 13,75%, de uma mínima recorde de 2% em março de 2021, alertando que poderia retomar os aumentos se a desinflação não ocorresse como esperado.

Depois que Lula minimizou a reação adversa dos mercados à sua proposta de isentar cerca de R$ 200 bilhões (US$ 37 bilhões) de despesas de um teto orçamentário constitucional, Campos Neto afirmou que o mercado não era um monstro, mas “uma máquina que aloca recursos”.

“O que me mantém acordado à noite é que às vezes você tem um ponto de inflexão em que honesta e verdadeiramente quer fazer mais por aqueles que precisam, mas quando você passa desse ponto de inflexão, tentar fazer mais significa fazer menos”, disse ele. .

Campos Neto disse que isso causaria problemas no mecanismo de precificação e desorganização dos mercados.