Fala, pessoal. O dólar deu uma escorregada nesta sexta, depois que mais uma leva de dados econômicos dos EUA veio fraca e fez o mercado reduzir as apostas em alta de juros pelo Fed. Mas, surpreendentemente, a moeda americana tá no caminho pra quebrar uma sequência de duas semanas seguidas de queda.
O índice DXY, que mede o dólar contra seis principais pares, caiu 0,3% pra 99,67 no fim da tarde. Mas na semana, ainda acumula alta de 0,1%. Ou seja: caiu hoje, mas subiu na semana. Confuso? Sim. Bem-vindo ao câmbio.
O que pesou contra o dólar essa semana foram os dados de inflação e varejo:
CPI (inflação ao consumidor) de julho desacelerou no anual e no núcleo;
PPI (inflação ao produtor) seguiu o mesmo caminho, subindo menos que o esperado;
Vendas no varejo de julho caíram 0,6% na comparação mensal, contra expectativa de alta de 0,1%. Ou seja, o consumidor americano apertou o cinto.
Com isso, as chances de o Fed manter os juros parados em setembro subiram de 56% pra 67% em uma semana. E a probabilidade de alta de 0,25 ponto caiu pra 33%. Menos juros = dólar mais fraco. Simples.
Só que aí entra o plot twist: o petróleo disparou mais de 5% na semana por causa do impasse geopolítico no Estreito de Hormuz (já falamos disso num post anterior aqui). Petróleo alto geralmente impulsiona o dólar como porto seguro, e foi isso que impediu a moeda de cair mais.
O Brent fechou a semana em US$ 88,52 (+4,5%) e o WTI também subiu forte. O mercado de energia tá tenso com a briga EUA x Irã, e isso acaba dando suporte pro greenback.
Ah, e o iene japonês? Caiu 1% na semana, comendo todo o ganho que teve depois da intervenção conjunta EUA-Japão no fim do mês passado. O Brookings Institution já falou: “intervenção claramente não tá funcionando, o Japão precisa de uma mudança profunda na política do BoJ”. Enquanto isso, euro e libra tão subindo fraquinho, mas subindo.