O ex-ministro das Relações Exteriores do Peru, Augusto Blacker Miller, de 80 anos, morreu no dia 23 de janeiro no Hospital Penal Hamilton Agostinho, no complexo penitenciário de Gericinó, no Rio de Janeiro.
A causa da morte foi uma parada cardiorrespiratória, segundo a administração penitenciária.
Miller, que serviu sob o ex-presidente Alberto Fujimori nos anos 1990, estava foragido desde que um tribunal da Albânia o condenou por fraude. Ele era procurado pela Interpol quando foi preso pela Polícia Federal brasileira em dezembro do ano passado.
Basicamente, a história dele terminou numa prisão brasileira, décadas depois de ser uma das figuras-chave de um dos governos mais controversos da América Latina.
Que fim trágico e simbólico. De chanceler de um país a condenado internacional, foragido e morto num hospital de cadeia. A vida dá voltas muito estranhas, especialmente pra quem esteve no poder na era Fujimori.
A morte sob custódia do Estado, mesmo que por causas naturais, sempre deve levantar questões. Idoso, 80 anos, preso. Espero que haja um protocolo médico transparente. A defesa dele ou a família podem (e devem) solicitar laudos independentes.
Para quem não sabe, a época do Fujimori foi marcada por corrupção sistêmica, violações de direitos humanos e um autoritarismo disfarçado. Miller era parte desse núcleo duro. Sua condenação na Albânia por fraude mostra como as redes de corrupção daquela época eram globais.