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Argentina e Brasil monitoram um enorme enxame de gafanhotos que podem causar danos massivos ao agronegócio

Argentina e Brasil estão monitorando o movimento de um enxame de gafanhotos de 15 quilômetros quadrados no nordeste da Argentina, embora autoridades e especialistas tenham dito até agora que não causou danos significativos às plantações nos países sul-americanos.

O órgão argentino de segurança alimentar SENASA disse que o enxame, que inicialmente entrou na Argentina a partir do Paraguai no final de maio, continha cerca de 40 milhões de insetos. Fica na província de Corrientes, perto das fronteiras com o Brasil, Uruguai e Paraguai. Argentina e Brasil estão entre os maiores exportadores de soja e milho do mundo. “Estamos acompanhando o movimento da praga”, disse à Reuters quinta-feira Héctor Medina, coordenador do SENASA. Devido à chegada de uma frente fria do sul, o movimento dos gafanhotos seria limitado nos próximos dias, acrescentou. As baixas temperaturas “os impedirão de se mover e se reproduzir. A letargia os faz ficar quietos - disse Medina. Os ventos podem eventualmente empurrar a nuvem de gafanhotos para um país vizinho, acrescentou.

O Ministério da Agricultura do Brasil também está monitorando o enxame e pediu que os agricultores do sul do país estejam em alerta, embora tenha concluído que é improvável que a nuvem de gafanhotos se mova para o território brasileiro por enquanto. No entanto, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina Dias, declarou na quinta-feira uma “emergência fitossanitária” nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina devido ao enxame. Na Argentina, tanto o SENASA quanto a bolsa de grãos de Buenos Aires disseram que estavam menos preocupados com o enxame de gafanhotos do que as questões do clima seco que afetam as lavouras.

“Por enquanto (o enxame) não é um problema, estamos mais preocupados com a questão da umidade para o plantio do trigo do que gafanhotos”, disse Esteban Copati, chefe de estimativas agrícolas da bolsa, que acrescentou que o enxame estava se movendo sobre áreas marginais de cultivo .

As pragas levantaram preocupações no Brasil. Um representante da associação de produtores de Aprosoja, no Rio Grande do Sul, disse temer que os gafanhotos entrassem no estado em que o milho ainda está sendo colhido e o trigo está sendo cultivado.

Eugenio Hack, da cooperativa Copercampos em Santa Catarina, disse à Reuters que, se os gafanhotos se mudarem para o estado, os produtores teriam que ser treinados para usar os produtos químicos apropriados, diferentes dos normalmente usados.

“Meu avô lidou com gafanhotos há muitos anos. Os agricultores costumavam cavar valas no chão, cobrir insetos com o solo e depois incendiá-los ”, disse Hack.