Eis a reviravolta: Darren Woods, CEO da Exxon Mobil, disse hoje em call de resultados que a empresa tem a tecnologia necessária para produzir o petróleo de alto custo da Venezuela.
O que torna isso surreal é o contexto:
Há poucas semanas, Woods chamou a Venezuela de “não-investível” (uninvestable) numa reunião na Casa Branca – fala que levou uma repreensão pública do presidente Donald Trump.
A Exxon foi expulsa/nacionalizada pelo governo Chávez há quase 20 anos.
Agora, ele muda o discurso, diz que acredita no compromisso do governo dos EUA em estabilizar o país e “fazer a transição para um governo democraticamente eleito”.
Disse que a Exxon está “disposta a enviar uma equipe técnica” para visitar o país.
A “vantagem tecnológica”:
Ele citou a experiência com areias betuminosas no Canadá, afirmando que podem trazer uma abordagem que leva a produção de custo mais baixo e maior recuperação de petróleo – ou seja, tornar os barris venezuelanos mais econômicos.
Bônus Geopolítico: Woods ainda deu um insight importante: mudanças na Venezuela poderiam criar um ambiente operacional mais favorável perto da Guiana, onde a Exxon tem o mega-bloco Stabroek (parte dele sob force majeure devido à disputa de fronteira com a Venezuela).
Ou seja: é um sinal fortíssimo de que, nos bastidores, as negociações entre EUA, o governo atual da Venezuela e as petroleiras estão super aquecidas. O jogo político pode estar virando.