Embraer (EMBJ) apresenta guidance batido e backlog de dar inveja: US$ 50 BI. Mas ação desaba 6% com tarifaço dos EUA. O mercado é realmente míope?

Fala, galera. A Embraer soltou os resultados de 2025 ontem (06/03/2026) e, olhando os números frios, a empresa parece ter mandado bem. Mas o mercado, como sempre, achou um pelo em casca de ovo e a ação despencou mais de 6% no pregão, fechando nos US$ 66,47.

Os Números (pra quem não tem tempo de ler o release):

Receita Líquida 2025: US$ 7,6 Bi. Acima do guidance (que era de US$ 7,0 - 7,5 Bi) e crescimento de 15% vs. 2024.

Margem EBIT Ajustada: 8,7% (no meio do guidance). Ficou estável em relação ao ano passado se desconsiderarmos aquele acordo bilionário com a Boeing.

Backlog: BATEU RECORDE. Fechou o ano em US$ 50 BILHÕES. Isso é visibilidade de receita por anos.

O que deu certo?

A Embraer mostrou que não é só uma empresa de jatinho. Os 4 segmentos cresceram:

:airplane: Aviação Comercial: Faturou US$ 2,37 Bi (+7%). Venderam 78 jatos (perto do teto do guidance). O destaque foi o programa E2, que teve um ano “marqueteiro” com vendas globais fortes.

:small_airplane: Aviação Executiva: O grande destaque. Receita explodiu 25% pra US$ 2,21 Bi. Margem subiu pra 12%. O Phenom 300 continua sendo o caçulinha mais vendido do mundo pelo 14º ano seguido. Só no 4T entregaram 53 jatos! (Isso é ritmo de fábrica de biscoito).

:satellite: Defesa & Segurança: Crescimento de 36% na receita. Fecharam vendas do KC-390 (o cargueiro foda) pra dois países da OTAN. Sim, a Embrazil tá armando a Europa.

:wrench: Serviços & Suporte: Crescimento sólido de 18%. É a mina de ouro recorrente.

A pedra no sapato: Tarifas dos EUA

Apesar dos números fortes, o mercado se assustou com o impacto das tais tarifas de importação americanas. A empresa disse que, sem o tarifaço, a margem da Aviação Executiva teria sido de 14,3% (uma expansão monstra de 260 pontos-base). Ou seja, o protecionismo do Tio Sam tá comendo parte do lucro.

O veredito do mercado: Ação caiu forte no pré-market e aprofundou a queda no pregão. Medo de guerra comercial e compressão de margem futura.

Minha visão: Backlog de $50 Bi não é brincadeira. A empresa está vendendo bem, diversificada e competindo de igual pra igual com as gigantes. A queda de hoje me parece mais um “sell the news” (vender na notícia) ou surto com macro do que um problema estrutural.

E vocês, compram a queda ou acham que a ação ainda vai testar suportes mais baixos com essa novela das tarifas?

Míope é pouco. 50 BILHÕES de backlog. Só pra contextualizar, isso é mais que o PIB de uns 40 países. Quem vendeu hoje vai estar pagando mais caro daqui 6 meses.

Lindo no papel, amigo. Mas o mercado precifica futuro. Se as tarifas aumentarem (e com Trump batendo boca, pode piorar), a margem vai pro saco. Prefiro esperar entrar num suporte melhor, tipo $60.

O que me pegou foi a margem de Serviços caindo. Esse segmento costuma ser o mais resiliente. Se até a manutenção está sentindo o impacto dos custos (tarifas), o céu fica um pouco mais nublado. Mas ainda acho EMBJ papel para carteira de longo prazo.