Êxodo de lucros: Empresas no Brasil remeteram RECORDE de US$ 18 bi em dividendos ao exterior em dezembro, antes de novo imposto de 10%

Dados do Banco Central divulgados hoje mostram que as empresas no Brasil enviaram um volume recorde de lucros e dividendos para o exterior em dezembro de 2024: US$ 18 bilhões.

Isso é mais que o dobro dos US$ 8,8 bilhões enviados em dezembro de 2023 e a maior cifra mensal desde o início da série histórica, em 1995.

O motivo mais provável é a antecipação tributária: a partir de janeiro de 2025, o governo Lula passou a cobrar uma retenção de 10% sobre remessas de lucros ao exterior. A medida faz parte de um pacote para compensar a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até dois salários mínimos

O efeito foi tão forte que os “Lucros reinvestidos” no país tiveram uma saída líquida de US$ 11,4 bi (ou seja, mandaram mais dinheiro pra fora do que o lucro gerado aqui no mês). Isso fez com que o Investimento Estrangeiro Direto (IED) tivesse uma saída líquida de US$ 5,2 bi em dezembro, quando a expectativa era de entrada de US$ 1 bi.

O chefe de estatísticas do BC, Fernando Rocha, disse que os dados podem indicar tanto a antecipação do imposto quanto lucros corporativos robustos em 2024. No ano todo, o IED ficou em 3,41% do PIB, estável frente aos 3,39% de 2023.

Fonte: Reuters

Traduzindo: o setor privado fez um cash out histórico antes da taxação. Isso é pura antecipação racional. Mostra que o imposto, em vez de gerar receita imediata, antecipou uma fuga de dividendos. A pergunta é: qual o efeito líquido no longo prazo?

Para colocar em perspectiva: US$ 18 bi é mais que o orçamento anual do Ministério da Ciência e Tecnologia. É um volume absurdo que explica a pressão no câmbio no fim do ano.

Gente, calma. Não é “fuga de capitais”, é remessa legal de lucros de multinacionais que já estavam acumulados aqui. O imposto é justo e vai financiar a isenção para os trabalhadores de baixa renda. Países desenvolvidos taxam remessas também.