França coloca novas condições pesadas na produção da água Perrier da Nestlé

Fiquei sabendo disso agora: o governo do departamento de Gard, no sul da França, deu um pé na bunda parcial na Nestlé. Eles autorizaram a continuidade do uso de dois dos poços que abastecem a famosa água mineral Perrier, mas com um monte de novas regras.

Contexto da treta:

A Nestlé estava no centro de um escândalo no ano passado, após investigações da imprensa francesa revelarem que a Perrier (e outras marcas) usavam tratamentos de água ilegais para evitar contaminação.

A empresa então trocou para um método de microfiltragem, alegando que é seguro e não altera a composição mineral.

Só que aí as autoridades locais acharam a filtragem muito agressiva (0,2 mícron) e pediram para trocarem para uma menos fina (0,45 mícron) em julho.

As novas condições são duras:

A Nestlé tem 12 meses para apresentar um estudo adicional sobre o impacto da filtragem no microbioma da água (ou seja, na vida bacteriana natural).

Vão ser exigidos controles de segurança reforçados na água por dois anos.

Após esse período, a empresa tem que apresentar uma revisão completa da qualidade da água.

Três outros poços que a Nestlé já não usava foram definitivamente proibidos de produzir água Perrier.

A Nestlé Waters France não comentou imediatamente. A marca Perrier continua sob um microscópio.

TL;DR: Após escândalo de tratamentos ilegais, França permite Nestlé continuar usando 2 poços da Perrier, mas com condições pesadíssimas: estudo sobre microbioma, 2 anos de testes reforçados e proibição de 3 poços antigos. A fiscalização apertou.

Microbioma? Agora tão fiscalizando a vida bacteriana da água mineral? Isso é um nível novo de regulamentação. No fim, tão basicamente dizendo: ‘Vocês mexeram onde não deviam, agora provem que não estragaram a água de verdade’."

Isso é um clássico caso de greenwashing sendo pego no contrapé. A Nestlé tirou um tratamento químico ilegal, botou uma filtragem super agressiva pra resolver rápido, e agora os órgãos públicos tão cobrando o preço: “Cadê o estudo que prova que você não matou o ecossistema único da fonte?” Joga uma luz enorme sobre como essas multinacionais tratam recursos naturais locais.

Do ponto de vista técnico, a exigência do estudo do microbioma é relevante. Águas minerais têm assinaturas microbianas únicas ligadas ao terroir. Uma filtragem muito agressiva (0,2µ) pode homogeneizar a água, tirando sua característica principal. A troca para 0,45µ é um meio-termo que retém mais partículas naturais, mas ainda garante segurança. A Nestlé se enfiou sozinha nessa.