Uma fonte anônima do Ministério Público Federal (MPF) informou nesta sexta-feira que os procuradores devem levar de quatro a seis meses para analisar todas as evidências coletadas na segunda fase da operação que investiga o Banco Master, colocado em liquidação pelo BC em novembro.
Por que demora tanto? Segundo a fonte, os procuradores precisam analisar:
Acesso a dados bancários e fiscais de 101 pessoas e empresas.
Provas apreendidas em 42 locais.
Tudo com base em mandados aprovados pelo STF.
Isso torna pouco provável uma conclusão no primeiro semestre deste ano. Só depois dessa análise o MPF decidirá se oferece denúncia criminal contra os investigados, incluindo o controlador do banco, Daniel Vorcaro.
Defesa de Vorcaro: Os advogados afirmaram que foram informados das medidas e que Vorcaro coopera plena e continuamente com as autoridades, negando a existência de qualquer fraude.
Valor bloqueado: A Justiça também determinou o congelamento de R$ 5,7 bilhões em bens dos suspeitos, por crimes como formação de quadrilha, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.
Contexto: A primeira fase da operação, em novembro, focou no uso de créditos fraudulentos pelo banco. A segunda fase, desta quarta-feira, deu sequência às investigações.
Quatro a seis meses só para analisar a papelada? Isso mostra a dimensão monstruosa do caso. Mais de 100 pessoas/empresas e 42 locais de busca. Isso não é uma investigação de desvio simples, é o mapeamento de um sistema inteiro. O valor bloqueado (R$ 5,7 bi) já é um indicativo do volume de recursos movimentado. O MPF não vai querer errar na denúncia, vai montar um quebra-cabeça colossal. Preparem-se para uma denúncia do tamanho de uma enciclopédia.
“Coopera plena e continuamente”. Clássico. A estratégia da defesa é sempre a mesma: passar a imagem de colaboração total para tentar mitigar danos e talvez buscar um acordo de delação futura. Ninguém com R$ 5,7 bilhões bloqueados é inocente. A pergunta que fica: quem mais está no meio desse esquema que ainda não apareceu? Esses 101 nomes devem incluir políticos, lobistas e empresários de outros setores.
O impacto de mercado disso é limitado agora porque o banco já estava em liquidação, mas é um recado forte do BC e do MPF. Sinal de tolerância zero com gestão fraudulenta e manipulação. Para os investidores, é um alerta vermelho para olhar a governança de instituições financeiras menores. O custo de capital para esses bancos deve subir, e a consolidação do setor pode acelerar.