Pois é, a libra até tentou, mas esbarrou no petróleo. Nesta sexta, a moeda britânica caiu 0,4% contra o dólar, pra US$ 1,3376, devolvendo parte da alta forte do dia anterior. Mesmo assim, na semana acumulou ganho de 1,2%. O motivo? O Banco da Inglaterra resolveu adotar um tom mais duro e deixou o mercado com expectativa de alta de juros ainda este ano.
Na quinta, o BoE votou por unanimidade manter os juros onde estão, mas soltou um “estamos prontos para agir” contra os riscos vindos da guerra no Oriente Médio. O mercado entendeu o recado. Os traders já estão precificando 80 pontos-base de aperto em 2026, o que significa pelo menos três altas de 0,25 ponto percentual.
Antes do conflito, a aposta generalizada era que o BoE cortaria os juros — alguns até esperavam um corte já na reunião de quinta. Só que o petróleo subindo, inflação de volta ao centro do debate, e o banco central inglês mudou completamente o discurso. Enquanto isso, o Federal Reserve segue sendo visto como um que pode até cortar juros ainda este ano, mas não subir. Em contraste, o BoE agora é visto como um dos poucos que vai apertar.
A analista do Danske Bank, Kirstine Kundby-Nielsen, resumiu: “A reprecificação foi bem significativa. Faz sentido sinalizar determinação, mas parece um pouco exagerado.”
E o petróleo, claro, segue dando o tom. Com os preços subindo de novo na sexta, o dólar ganhou força e pesou na libra. Resumo: libra forte no discurso do BoE, mas refém da alta do petróleo e do humor do mercado.