O dólar deu uma afrouxada depois que o Fed cortou os juros, e as moedas de alto rendimento da América Latina foram à loucura hoje, com o índice do MSCI da região subindo 0.8%. O campeão do dia? O Real brasileiro, valorizando 0.8% após o BC manter os juros lá nas alturas e a linguagem dura. O peso chileno também tá na festa (+0.7%), numa semana tensa que termina com o segundo turno presencial no domingo.
Mas nem tudo são flores: a bolsa brasileira (Bovespa) caiu 0.2%, mesmo com dados de varejo em outubro surpreendendo positivamente. A junção de moeda forte, bolsa capenga e um cenário político brasileiro ainda nebuloso tá deixando os investidores globais bem mais seletivos.
Isso é textbook. Fed corta, dólar global enfraquece, capital busca yield em mercados emergentes. O real foi turbochargeado pelo BC não dar nenhum sinal de afrouxamento, mantendo o diferencial de juros colossal. O dado do varejo fortalece ainda mais o argumento do Copom para segurar a Selta. É puro carry trade funcionando.
Bovespa: vê o real subir 0.8% “Não para mim, obrigado.” A bolsa virou o patinho feio do mercado brasileiro. Enquanto a moeda ganha com juros alto, a bolsa sofre com os mesmos juros altos + incerteza política + risco fiscal. Tá foda ser stock picker aqui.
O mais interessante foi a frase do artigo: “drive more selective positioning”. Traduzindo: acabou a maré que levava todos os barcos. Agora o investidor estrangeiro vai escarafunchar cada país e cada setor. Chile com eleição polarizada, Brasil com incerteza fiscal, Argentina… bem, Argentina. Vai ter que ter estômago.