Os preços do petróleo ficaram praticamente estáveis nesta terça-feira, mas o contexto é pura geopolítica pesada.
Resumo dos fatores:
Esperanças de um acordo de paz entre Rússia e Ucrânia levaram um golpe após acusações mútuas sobre um ataque a uma residência presidencial russa;
Tensões no Oriente Médio aumentaram: Arábia Saudita realizou ataques aéreos no Iêmen e deu ultimato para que forças dos Emirados Árabes deixem o país em 24 horas;
Brent (fevereiro) subiu 0,4%, para US$ 82,21; WTI subiu 0,6%, para US$ 78,44;
Outros fatores de apoio: bloqueio estadunidense ao petróleo da Venezuela e suspensão das exportações do blend do Cáspio (CPC) devido ao clima.
Um analista da UBS comentou que o mercado já se ajustou à ideia de que não haverá avanço na paz no curto prazo.
O título é “preços estáveis”, mas é só porque os fatores se equilibram: tensão sobe no Leste Europeu e no Iêmen, mas o mercado já precificou a falta de paz. Se piorar em qualquer uma das duas frentes, o Brent vai direto para US$ 85+.
Detalhe importante: o contrato do Brent de fevereiro vence HOJE. A leve alta pode ser mais ajuste técnico do que sentimento real do mercado. Amanhã com o contrato de março a visão fica mais clara.
A Arábia Saudita dando ultimato para os EAU em 24h é grande. Estão numa guerra por proxy dentro do próprio conflito do Iêmen. Isso pode fragmentar ainda mais a coalizão e prolongar a instabilidade no estreito de Bab el-Mandeb — rota crucial para o petróleo.