Petróleo sobe com força maior no Cazaquistão e exportações da Venezuela patinando

Os preços do petróleo fecharam em alta hoje, sustentados por notícias que apertam o lado da oferta. O Brent subiu 0,6%, para US$ 65,32, e o WTI também subiu 0,6%, para US$ 60,70.

Os motivos são dois problemas em dois lugares diferentes:

Cazaquistão em apuros: A produção nos campos gigantes de Tengiz e Korolev foi paralisada no domingo por problemas na distribuição de energia. A operadora TCO declarou force majeure nas entregas pelo oleoduto CPC. A paralisação pode durar mais 7 a 10 dias.

Para piorar, o petróleo do outro campo gigante, Kashagan, está sendo desviado para o mercado interno pela primeira vez, porque o terminal do Mar Negro (CPC) está com gargalos após danos sérios por ataques de drones.

Venezuela devagar e sempre: A PDVSA exportou apenas cerca de 7,8 milhões de barris sob o acordo de US$ 2 bilhões com os EUA. O volume mostra o progresso lento para reverter os cortes de produção recentes. A retomada não está acontecendo no ritmo que o mercado esperava.

Resumo: Dois fornecedores importantes com problemas = oferta mais apertada = preço sobe. A OPEC+ deve estar sorrindo.

Falta de energia no Cazaquistão + ataques de drone no terminal do CPC + Venezuela não decola = receita perfeita para uma squeeze na oferta. Ainda mais com a demanda global resiliente. Acho que o Brent testa os US$ 67 essa semana.

Isso é uma mostra clara de como a infraestrutura energética global está vulnerável. Um problema de distribuição de energia num país remoto e um terminal danificado por drones são suficientes para mover o mercado mundial. A geopolítica do petróleo está cada vez mais fragmentada e frágil.

E o pessoal que acha que carro elétrico vai matar o petróleo em 5 anos? Toda semana um novo susto na oferta. Enquanto o mundo não for 100% sustentável e estável (spoiler: nunca será), o ouro negro vai continuar sendo a commodity rei.