Rúpia indiana atinge mínimo histórico pressionada por tarifas e vistos dos EUA

A rúpia indiana chegou a uma baixa recorde nesta terça-feira, pressionada pela preocupação com o impacto dos altos impostos de importação dos EUA e pelo aumento drástico nas taxas do visto H-1B.

A moeda caiu para 88,7975 por dólar, uma desvalorização de 0,5% no dia e a maior queda em quase um mês. Com uma queda de mais de 3,5% no ano, a rúpia é uma das moedas de pior desempenho na Ásia.

O gatilho imediato foi o anúncio de que as novas aplicações para o visto de trabalho H-1B nos EUA agora terão uma taxa de US$ 100.000. Isso é um golpe direto para o setor de TI da Índia, que é muito dependente desse visto para enviar profissionais para projetos nos EUA. Para piorar, os exportadores indianos já sofriam com tarifas de importação de até 50% impostas pelos EUA no mês passado.

Principais consequências:

Setor de TI: Ações de grandes empresas de TI indianas, como TCS e Infosys, caíram fortemente. O custo para essas empresas pode aumentar drasticamente – a Tata Consultancy Services (TCS), por exemplo, poderia ter um custo adicional de US$ 550 milhões apenas com as novas taxas de visto.

Remessas: Há o risco de queda nas remessas de dólares que os trabalhadores indianos nos EUA enviam para a Índia, que totalizam cerca de US$ 33 bilhões por ano. Estimativas da HSBC indicam que as novas restrições poderiam reduzir esse valor em US$ 500 milhões.

Banco Central: O Reserve Bank of India (RBI) interveio no mercado para conter a queda da rúpia, mas adotou uma postura moderada, permitindo uma desvalorização ordenada.

Apesar do cenário difícil, alguns analistas veem uma oportunidade para a Índia se tornar um hub de inovação ainda mais forte, atraindo de volta talentos que antes emigravam.

O RBI está certíssimo em não defender um nível específico. Deixar a moeda depreciar de forma controlada pode até ajudar os exportadores a compensar parte do efeito das tarifas americanas. O problema é o impacto na inflação.

Isso é um terremoto para o modelo de negócios das consultorias de TI. Vão ter que correr para contratar localmente nos EUA (o que é mais caro) ou acelerar ainda mais a automação. Quem sair dessa mais forte vai dominar o mercado.

Exatamente. A relação EUA-Índia está sendo severamente testada. Eles são parceiros estratégicos contra a China, mas essas disputas comerciais mostram os limites dessa parceria.